sobre o tempo
January 17th, 2012 § 0
Sempre tive um problema com o tempo, que acabou por se agravar mais quando cheguei à Barcelona.
Na medida que ele ia passando e eu encontrando coisas preciosas por aqui, das quais gostava de pensar que era apenas o início, fui me dando conta que o tempo que teria com elas era cada vez menos certo, mensurável. Podiam ser mais dois meses ou dois anos, ou 20, e isso me preocupou. Geralmente a gente pensa que tem todo o tempo do mundo pra terminar algo pendente, terminar um projeto que nunca sai do papel, reatar uma amizade ou relacionamento ou que apenas com uma mudança de postura se pode começar de novo do zero, esteja onde for, e aí o tempo reseta e você volta pro começo das coisas sem fim até você mesma achar esse fim. Em Barcelona o tempo passa diferente.
Eu posso escolher não sair de casa o dia todo ou ir dar uma volta curta, ou longa, ou ir no cinema. Posso aproveitar o final de semana desvairadamente saindo todos os dias, ou nenhum, ir treinar basquete duas vezes por semana ou nenhuma (e já tentei todas as combinações possíveis). Não importa o que eu faça, em Barcelona o tempo passa diferente. Quanto mais o aproveito, menos o tenho. É o oposto do tédio, de quando nada interessante acontece no seu dia-a-dia; aqui, tudo e qualquer coisa se torna interessante exatamente pela efemeridade da minha estadia, é delicioso e angustiante ao mesmo tempo e no final do dia, me angustia mais que qualquer coisa. Quando menos me dou conta dele, mais suportável e gentil ele parece ser comigo. Por entendimento comum, a gente nunca sabe realmente o quanto as coisas vão durar, tenho consciência; estar diariamente contra ele é uma corrida que ninguém pode ganhar e viver no carpe diem, carpe populi (principalmente o populi) é muito bonito, mas é cansativo.
Devia ser menos agradecida, menos aberta às coisas boas, menos receptiva às gentilezas, às qualidades que reconheço e me fazem sentir menos sem lugar no mundo. Devia ver mais defeitos, reclamar mais dos preconceitos, dos preços e de como a gente é fudido, não importa onde esteja. Mas parece que eu só sei brigar com o tempo, pedindo pra ele ser um pouco mais claro, generoso, e que me dê uma folga para planejar o que fazer ao invés de se apresentar e despedir de mim a cada dia.
infinite
November 27th, 2011 § 0
”If a thing loves, it is infinite. The eye altering, alters all.”
(William Blake)
as we are
November 22nd, 2011 § 0
“Do you think I am an automaton? — a machine without feelings? and can bear to have my morsel of bread snatched from my lips, and my drop of living water dashed from my cup? Do you think, because I am poor, obscure, plain, and little, I am soulless and heartless? You think wrong! — I have as much soul as you — and full as much heart! And if God had gifted me with some beauty and much wealth, I should have made it as hard for you to leave me, as it is now for me to leave you. I am not talking to you now through the medium of custom, conventionalities, nor even of mortal flesh: it is my spirit that addresses your spirit; just as if both had passed through the grave, and we stood at God’s feet, equal — as we are!
(Jane to Mr. Rochester-Ch. 23)”
encontro
October 15th, 2011 § 0
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar.
Olhei pra você fixamente por instantes.
Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.C.L.

