mins e eus

July 31st, 2010 § 1

é difícil largar hábitos antigos. posso dizer que sempre tive alguma dificuldade para a leitura; no colégio, não era muito fã de matérias de humanas. os livros que li quando era mais nova, no colégio, nunca o fiz com (ou por) prazer. ao menos lá a idéia de literatura não era baseada no prazer de descobrir que tipo de histórias ou assunto nos agradava, mas de seguir uma linha cronólogica da literatura portuguesa/brasileira e isso era muito maçante pra mim. se tivessem me dado “primeiras estórias” pra ler antes talvez tudo seria diferente hoje. ou algum “harry potter” da época.

assim sendo, mesmo depois de muitos anos, lembro de uma prova oral de matemática na 4ª série, onde a professora ia ditando as operações, os alunos iam as resolvendo mentalmente e no final ela pedia o resultado. “31!”. naquela ocasião, eu fui a única a acertar (ainda ecoa na minha cabeça o entusiasmado “parabéns, paula!” dito pela professora), então passei a pensar que talvez fosse boa naquilo. não sei se por incentivo disso ou não, no colégio as matérias que mais tinha facilidade de absorver eram as exatas; enquanto a matemática e a física eram os pesadelos da maioria das minhas amigas, para mim eram simples, lógicas. assim, as ciências exatas, onde tudo se encaixava dentro de um pensamento racional e associativo me davam um tipo de segurança: aprenda essas e essas fórmulas e a partir daí tudo se resolve. e assim foi durante quase toda a vida de colegial.

o português (gramática principalmente), biologia e química eram os problemas, fazia a contragosto. com geografia e história o relacionamento tinha fases. lembro de adorar as aulas de um professor meu de história, o maurício, pelo gosto que ele falava sobre a política no brasil, principalmente como gostava de desmascarar as farsas históricas que encobriam os fatos que chegavam à grande maioria da população. naquilo eu não era tão boa, mas gostava e aquilo me inspirava. pouco depois as aulas de geografia com a professora maria luísa tomaram o lugar desse respiro intelectual, enquanto eu chegava à conclusão que as exatas não eram tão legais assim e definitivamente não me davam prazer.

foi nessa época, também, que comecei a prestar mais atenção no cinema e na televisão. enquanto os problemas de adolescente vinham à tona (e todas as neuras, insegurançãs, etc.), os seriados e filmes que assistia eram uma forma de me inspirar de alguma forma. em algumas ocasiões, cheguei a escrever alguns roteiros que intencionava gravar com os amigos, o que nunca chegou à acontecer. dos filmes, comecei a pegar gosto pelos posteres, imagens de divulgação, fotos dos atores, etc. e de alguma maneira foi o que me levou à deixar de lado a idéia de estudar psicologia na unesp de assis (ainda bem!) e ficar por são paulo, estudando design gráfico no senac. entrei lá querendo fazer cartaz de filmes (idéia que logo descobri ser pouco provável, já que a maioria é produzida por agências de publicidade) e saí de lá sem saber o que queria fazer, tamanho o contato com diversas áreas que a faculdade te propicia.

posso então dizer que nos últimos 10 anos, ao menos, minha vida tem sido mediada por imagens. desde a que passei a ter consciência que gerava em relação à pessoas que conhecia (real e virtualmente, a internet é uma grande e descontrolada fonte), a que tenho de mim mesma (ou as, plural), às imagens em movimento de filmes e as que crio e projeto nos personagens que vejo, etc… o que comprova que minha imaginação tornou-se tão fértil sem a literatura como (talvez) teria se tornado com ela. a diferença é que quando se baseia na literatura, seus personagens são sempre pautados dentro de um universo ilusório: sabe-se que são fictícios, que cada leitor tem sua própria idéia da aparência daquele personagem. se assemelha um pouco à uma pintura: sabe-se mais ou menos como a pessoa aparentava, mas se o retrato era fiel ou melhorado, idealizado, isso deixa-se à subjetividade de cada pintor. quando a pessoa torna-se imaginativa, criativa, por meio de imagens, o caso já é um pouco mais complicado: a fotografia (imagem que “reproduz a realidade”) já lhe dá a aparência de tal pessoa, e não é necessário esforço algum para se formar esta imagem. a mim parece que nesse momento, o que passa a ser buscado é a personalidade, os valores, as características que representam determinada pessoa e a fazem tão interessante, o que pode ser muito mais perigoso. não se trata somente de uma busca de aparência, esta que é sabida como redutível e vazia quando usada para julgar outra pessoa, mas de uma busca e projeção de valores humanos no outro, que são 100% das vezes pautados em quem olha, não na pessoa observada. a interpretação de uma atitude, uma afirmação, um contato, dá margem para os mais ilusórios e ocultos motivos que levaram àquela ação.

já é hora de mudar de hábitos. e digo por uma questão de afastamento que sempre é necessária à qualquer tipo de análise de objeto/sujeito, por quê me gostam as avaliações e não como forma de negação, por quê acredito que só se muda algo quando se entende o que veio antes daquilo. e nesse caso, antes de mim haviam outros “mins”, que hoje seriam outros “eus” se várias circunstâncias tivessem sido diferentes. e pra se escolher é preciso ter opções.

what’s in a name?

July 29th, 2010 § 0

random thought:

July 21st, 2010 § 0

in order to create photographic images, i had to stop creating graphics.

15/04/2009

July 18th, 2010 § 0

- eu fui lá, te vi de longe mas fiquei sem jeito de ir cumprimentar. você é muito alto.
- sério? eu não te vi, mas podia ter ido falar um ‘oi’.
ele não sabia que a palavra em que pensei não era alto, era bonito.

square places where i’ve been

July 6th, 2010 § 0

square places where i’ve been only makes it wider. and makes me wiser.
do death valley, route 66, chicago e boston até a toscana, alpes e catalunha, 2010 tem sido impressionante.

pergunta:

June 16th, 2010 § 0

eu procuro, fuço… e acho que encontro.
acho que acho.

e você?

what if…

June 14th, 2010 § 0

what if i say all i mean
and i mean all i say?
what next?

top 5: diretores que perderam minha confiança

June 7th, 2010 § 1

5. steven spielberg
depois de fazer os filmes mais queridos da minha infância (jurassic park, E.T., indiana jones, hook, jaws), parece que o sr. steven perdeu a mão. o último que lembro de ter gostado foi minority report, e isso foi lá em 2002 e projeto do kubrick. o cinema mudou muito nesses anos e acho que os roteiros dos filmes dele não acompanharam, se perderam no meio dos efeitos visuais (coisa que o peter jackson soube aproveitar, por exemplo), mas gosto de pensar que ainda há alguma esperança com tintin (escolhi abstrair o andy serkis como cap. haddock, bah).

4. ridley scott + oliver stone (não é a mesma pessoa?)
os reis dos épicos. ridley do sensacional blade runner, alien, gladiator, hannibal, matchstick men (que é OK) e só. daí pra frente só filmes inconsistentes como kingdom of heaven, black hawk down e agora robin hood. stone com platoon, born in 4th of july e natural born killers (gosto de pensar que nessa o tarantino ajudou). alexander = ugh! WTC = wtf?

3. mike newell
ok, ele só fez de bom four weddings and a funeral e conseguiu um trabalho OK no harry potter and the globet of fire. conseguiu atrocidar love in the time of cholera e encher de clichês o prince of persia. nessas horas agradeço por terem tirado the constant gardener da mão do moço pra dar pro meirelles.

2. ron howard
cocoon, a beautiful mind (gosto muito) e frost/nixon. não fosse o enredo fantástico criado pelo dan brown e o sucesso gigante de the da vinci code como livro e o tom hanks, o filme certamente passaria desapercebido pela maioria com um pouco de bom senso. consegui gostar um pouco mais de angels & demons mas mesmo assim, deixam muito a desejar como adaptações.

1. rob marshall
originalmente coreógrafo, fez um ótimo trabalho em chicago - e deveria ter ficado no gênero. memoirs of a geisha e nine são um desastre como filmes (nem o day-lewis e a marion cottilard conseguiram salvar esse último) e agora parece que ele vai estragar também o próximo pirates of the caribbean (volta gore verbinski!)

menções honrosas:
chris columbus, m. night shymalan, baz luhrmann (fãs de moulin rouge que me perdoem - e desse eu gosto - mas australia é bombástico), robert zemeckis, bryan singer (adoro the usual suspects e os x-men’s dele, mas o superman returns foi de lascar).

ser e ter

May 28th, 2010 § 0

se procuro dizer a verdade, e só ela me interessa, por quê dar tanta importância ao que imagino? não seria ela, a própria imaginação, o oposto do que busco? e se parece somente ela ser-me gentil?

essential beauty

May 4th, 2010 § 0

i started liking sundays best when he started sleeping over.

he didn’t know how i liked my breakfast, and for me he didn’t have to learn. it was nice just to have someone over to smell the same air that filled the house when the coffee was ready. and melting butter. at those mornings, nothing ever felt so unreal and amusing at the same time. time, wich had finally started to pass again, bringin’ a whole new meaning to the minutes while his presence in that old rentend apartment i’ve had for almost 2 years definitely felt so refreshin’ and new.

it wasn’t much about the company, nor the presence of someone breaking the silence; was about patience and how life seems to give you some rest, some beauty, when times get rough. essential beauty, i thought, and all that mess that was about to come. now monday was the new sunday.

Where Am I?

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