me voltou a necessidade, urgência, e espero que não passe tão logo, de tentar ordenar de algum modo meus sentimentos um tanto a flor da pele em relação à morte do Michael e o que isso representa, ao menos pra mim. vejam bem, no momento não conheço outra pessoa adulta que se interesse tanto por isso, no meu círculo de amigos; alguns concordam que é uma pena, outros são indiferentes, outros se divertem… eu me sinto triste realmente cada vez que penso nisso e é uma coisa doida.
nas últimas semanas retomei os albuns, os vídeos… passei boas horas na tv e no youtube assistindo à entrevistas, matérias e tudo mais… eu poderia dizer que é um tanto tiéte da minha parte, eu que achei que depois da adolescência essas coisas não aconteciam denovo. na real fazia tempo que algumas músicas não me tocavam tanto assim… de tempos em tempos eu faço associações emocionais à algumas coisas artísticas, sejam elas no cinema, fotografia e claro, na música. a última que me lembro foi a fase broken social scene/explosions in the sky, que pra mim são geniais, do mesmo jeito que tenho achado Michael Jackson genial.
gosto da coisa “thriller/billie jean/bad” e outras mais agitadas, mas muito mais de um outro lado mais calmo e profundo das músicas do cara e isso diz um pouco sobre mim. ou talvez muito. me arrepio ouvindo “man in the mirror”, “human nature”, “stranger in moscow”, “will you be there” e por aí vai… e cada vez que a garganta trava numa nota ou numa interpretação, num floreio, eu fico desesperada: que raios é isso?? por quê eu tô assim??
remontando ao meu histórico com a música pop, uma fase que eu não escondo nem nego, não me parece sufuciente, isso de apenas ter voltado a curtir o ritmo todo; eu que nos últimos anos só vinha ouvindo post-rock, trilhas sonoras (scores), rock alternativo e essas coisas. não é por isso porque nunca deixei de gostar, mas as pessoas evoluem. creio que o motivo principal de toda essa reação emotiva é o quanto isso tudo me lembra o estado das coisas, da condição humana, da falta de compaixão… e Michael cada vez mais me dá razões pra sentir empatia pela pessoa dele, através da sua obra.
remontando toda a trajetória de vida em todos esse material que assisti nos últimos dias, pude entender um pouco melhor algumas coisas que pra mim não eram tão claras; a parte da infância negada sempre foi óbvia, a passagem pra carreira solo compreendi melhor; depois vieram os problemas de pele (e eu realmente acredito que ele sofria de lupus e vitiligo, não existe outra maneira de se mudar daquele jeito senão por algo muito grave e real como uma doença, todo o resto é lixo midiático), que trouxeram os problemas com a imagem própria que somados à histeria global e generalizada começou atitudes megalomaníacas e mais tarde, distúrbios de comportamento seríssimos.
a época do “off the wall” (1979) pra mim foi a mais feliz da vida do MJ. e a em que dava pra perceber uma felicidade tão grande estampada na cara dele que era impossível não achar tudo que ele fazia uma gracinha; era o menininho que tinha crescido, 21 anos, tímido, começando uma carreira de um jeito tão brilhante e único, sempre com um sorriso doce no rosto. depois veio “thriller” (1982) e o antológico videoclipe, 7 músicas (das 9 do album) atingindo o número um nas paradas e os 7 dígitos nas cifra$ que começaram a ser constante na vida do cantor. numa das gravações que eu vi de um vídeo dos Jacksons, já dava pra perceber algumas manchas na pele e diversas fotografias da época comprovam isso; ele mesmo afirma em entrevistas também que o período entre estes dois albuns foi quando a coisa se agravou, até quando preferiu parar de esconder as manchas brancas na pele com maquiagem escura e inverter, clareando as partes negras que ainda ficaram. pelo que vi, existem desde pomadas que fazem este tipo de alteração até tratamentos mais pesados, enfim… não vou tentar explicar a coisa a fundo, nem poderia.
no clipe de “bad” (1987, mesmo ano do CD homônimo) ele já era uma outra pessoa. claramente branco, os traços negros praticamente nulos, uma atitude mais agressiva. com quase 30 anos na época acho que ele tinha abandonado de vez a imagem de criança-prodígio e queria assumir o posto de majestade que a mídia e os fãs instituíram pra ele. aí veio o “dangerous” (em 1991), que passou aqui no Brasil em 1993 e toda a grandiosidade da performance de dança (“smooth criminal“ é demais)… na minha opinião foi a última época realmente boa da carreira dele. a acusação de abuso sexual, em 1993 também, foi forte demais e acabou tomando proporções tão absurdas que depois disso deve ter acontecido alguma coisa muito séria psicologicamente com ele que o cara pirou. de verdade.
a impressão que eu tenho do que veio depois disso é um pouco confusa: nas entrevistas ele era completamente tímido, falava baixo, sempre negando a acusação (que pra mim eram falsas, sem dúvidas, extorção baixa clara) e voltou a demonstrar uma fragilidade, confundida com infantilidade na maioria das vezes e que caiu na boca da mídia e todo mundo comprou; às vezes eu penso que até mesmo ele. em todas as entrevistas que assisti, o que eu via era sempre os apresentadores (com excessão da Oprah) fazendo perguntas ambíguas e tratando o cara como um retardado; as respostas eram sempre simples e sensatas; um cara que se diz fã de Tarkovsky (!!!) não pode ser nenhum débil, não acham? o que me impressionava eram as tentativas e a insistência em pintar o cara como um desequilibrado, coisa que eu acho que ele realmente foi ficando depois do casamento com a Presley. quem puder assista à entrevista dos dois no Primetime (aqui, são 5 partes); eu fiquei tão assustada com essa mulher e tão encantada com ele, com o jeito que ele falava com ela/dela, não sei como dá pra imaginar alguém fingindo tudo isso. isso foi em 1995, quando as acusações se não me engano já tinham sido resolvidas no acordo de 20 milhões (maravilha!) e ele tinha lançado o “scream” e logo depois o “you are not alone”. o vídeo dessa última música é outra coisa que eu não entendo direito… todo o teatrinho do casal, sem dinâmica nenhuma, ela totalmente blasé… e nessa hora eu pensei na solidão que ele devia sentir, de verdade. mesmo antes do “casamento”. é o clipe que me deixa mais triste com toda essa história de pensar no lado humano do cara, porque é claramente forçado (tem uma hora que ela, de costas, fala alguma coisa no ouvido dele e ele responde com um sorrizinho e uma cara de “nossa, é mesmo!?” e um tapinha no ombro… pareciam dois amigos fofocando, nunca um casal). essas coisa me deixam meio puta com a própria produção dele, assessoria… o pessoal só vê a interpretação e o que se estava tentando criar ali e esquecem como isso enfraquecia a humanidade da pessoa MJ, coisa que aconteceu demais na carreira dele.
divórcio 1 feito depois de alguns meses, tournê milionária (HIStory foi megalomaniacamente megalomaníaca, mesmo pros padrões do Michael), album com vendas abaixo das espectativas… aí debbie rowe (a enfermeira), segundas acusações (pedofilia denovo e álcool para crianças)… e filhos. a essa altura já não importa se os filhos eram ou não dele e o porque disso, ninguém nunca quis saber… se preocupavam mais se o cara era gay ou impotente do que se ele amava a enfermeira, se ela amava ele (aliás, acho que isso nem foi cogitado, todo mundo preferiu acreditar na loucura da coisa). mas se teve algo que eu acho que pode devolver um pouco a felicidade pro Michael foram os dois filhos; e nesse ponto também a crítica já tinha desistido dele por conta de todos os acontecimentos off stage, a piada já tinha se instalado e quando alguém dizia “Michael Jackson” a imagem que vinha sempre era a do cara estranho e pedófilo, nariz desfigurado, etc. pra mim também por muito tempo foi isso a que eu era remetida e comprava, sem ter consciência da gravidade… foi o que era interessante pra todo mundo naquele momento e daí por diante. nem o “invincible” (2001), apesar do seu relativo sucesso, conseguiu afastar a imagem deturpada que tinha sido criada e nutrida fielmente por toda a imprensa.
outra cena que me desperta também uma sensação horrível é a dele dando uma mamadeira a um dos filhos, com o rosto coberto, chacoalhando sem parar, enquanto um jornalista conversa com ele. pra mim ali ficou claro que ninguém mais se importava em manter a dignidade da imagem dele há tempos, fossem os assessores, os canais que veiculavam, porra nenhuma. mesma coisa com a cena do bebê na varanda… aquilo ali era sinal óbvio que o cara não tava bem emocionalmente e o que aconteceu? mais uma chacota, filmes zuando o cara, montagens ridículas na internet… e me lembrou das entrevistas da década de 90 em que ele pedia, sempre, pra pararem de se preocupar com a vida pessoal dele e focarem no trabalho; era quase um pedido desesperado em alguns momentos, imagino a sensação de impotência que alguém assim não sente… ter o mundo aos seus pés por ser genial e ter a sua privacidade absurdamente invadida e explorada pelo mesmo motivo, o que pra mim não faz nem nunca vai fazer sentido algum nesse mundo, por maior que seja a curiosidade humana. há quem diga que é o preço que se paga por ser uma figura pública, eu acho que ninguém por maior que seja merece passar por tanta especulação, ironização, escandalização quanto o Michael passou e teve que lidar.
da mesma forma que não me conformo como no final foi isso que destruiu o cara… se celebridades já são problemáticas por si mesmas, pra quê maltratar tanto? era a maior diversão da imprensa (a má imprensa, que fique claro, e que ainda hoje espero algum canal que consiga enxergar isso e chegar perto de se redimir) e a gente comprava, adorava, ria da dor dele. muitas vezes eu tenho epifanias estranhas… onde eu me dou conta que o mundo em que eu vivo é o mesmo que alguns ícones assim vivem, tipo pensar que se um dia eu fosse pra Los Angeles (coisa doida de se pensar, essa distância entre os lugares, que a Terra é redonda, que tiveram dinossauros, etc.) eu poderia cruzar os portões da casa dele ou de qualquer outra celebridade e que eles estariam lá de verdade, dentro da propriedade. parecem realidades paralelas, num dá pra associar o meu cotidiano, minha vidinha, com alguém do porte dele no mesmo tempo/espaço.
e eu penso no que o mundo devolveu pra ele, no final das contas, perto do que ele deu pro mundo. da criança talentosíssima e fofa que interpretava as músicas com a profundidade de um adulto, ao adulto inocente e que passava uma energia tão grande de felicidade nas músicas, que mudou a história música e a dança incrivelmente, chegou no topo do mundo e teve que levar o peso inteiro da nossa falta de sensibilidade nas costas durante tanto tempo… que deixou músicas lindíssimas como “man in the mirror”, “human nature”, “heal the world”, “we are the world” entre outras tantas; pra mim quem é capaz de criar (escrever, co-escrever) tudo isso NUNCA vai ser uma má pessoa e isso eu defendo até a morte. sem contar com as ações humanitárias (pra quem não sabe ele tá no Guiness pelo recorde de doações já feitas por uma pessoa pública às causas) e que pagou caríssimo por tanta falta do que fazer, má índole de tanta gente que nem sequer percebia que ele precisava de ajuda e de ser deixado quieto, no canto dele.
as pessoas assim deviam ser respeitadas e celebradas, ao invés de idolatradas nessa idolatria de hoje que é tão nojenta, mas tão nojenta, que justifica qualquer absurdo e falta de humanidade simplesmente por uma figura pública significar ser desprovida de qualquer sentimento perante às ações da mídia, que acredita que esse é o preço a se pagar pelo sucesso. e depois quando enlouquecem só piora, ou melhor, melhora! mundo fudido.
fico feliz que pelo menos agora nada mais afeta ele. e virão as “biografias”, os “tributos”, as “homenagens”, tudo dos mesmo que destruíram a vida do cara. se eu pudesse dizer alguma coisa no funeral me desculparia e agradeceria, não tem mais nada que possa ser dito. e agradeço por ter assistido, mesmo que a uma distância enorme, a monstruosidade do talento e legado que ele deixou, que fez de mim uma pessoa melhor.
parafraseando o reverendo no memorial, “There wasn’t nothing strange about your daddy. It was strange was what your daddy had to deal with.” E o mundo em que a gente vive.
michael morreu e eu me sinto triste, por ele.
lembro vagamente de cantarolar Smooth Criminal por anos sem saber o nome da música realmente, e o quanto isso me irritava. quando MJ passou por aqui com a turnê do Dangerous em 1993 eu tinha 8 anos e nem considerava ir ao show; me contentei em gravar em VHS (eu não, meus pais) e assistir vez ou outra. era doido a figura do cara e aquelas roupas brilhantes, os passos de dança, que criança não gostaria? não faz muito comentei com alguns amigos o quanto eu gostaria de assistir a um show dele, se voltasse pra cá. que coisa.
também já existia o Moonwalker, que pra mim era mais um jogo de videogame que um filme, e que eu sempre pegava emprestado da Rata (minha prima) pra poder jogar no Master System II que meu pai gloriosamente ganhou num bingo do banco. adorava atirar o chapeuzinho nos dobermans e pular sobre as mesas de pinball pra pegar aquelas bonecas estranhas. já na minha adolescência eu corria atrás de tudo que podia encontrar sobre as boybands; a cena pop sempre foi a de acesso mais fácil pra uma ‘pessoa’ de 13 anos se relacionar com a música. nessa época, a carreira (e digo a parte gloriosa) do M.J. já tinha passado do ponto… e em 1998 tudo que se falava era sobre a pessoa Michael, sobre a aparência e personalidade disformes do cara que tinha vendido o maior número de álbuns da história da música e suas polêmicas plásticas, doenças de pele e síndrome de Peter Pan. nem mesmo meus idolatrados e rebolantes boybanders, e eu tinha alguma consciência na época, poderiam existir sem a cultura videocliptica e estilo de dançar que o cara tinha criado (ou tinha sido o veículo, ou as duas coisas, a produção era pesada).
depois disso eu não me lembro de ter prestado atenção em muito do que se passava na vida/carreira dele; escutei algumas músicas do Invincible, alguma coisa sobre os casamentos fracassados, filhos, clipe com o Olodum e foi só. quinta passada ele morreu e eu achei uma pena, de verdade.
não que alguém pensasse que ele nunca fosse morrer, nem que esperasse um grande retorno. a gente tem que saber quando as coisas já renderam tudo o que podiam, que nem jogador de futebol que resiste em se aposentar e tudo mais. senti pena por todo o fantástico que ele representou pra uma geração (eu não vi os Beatles, nem o Elvis, ou Sinatra, Jobim, essas coisas… tenho Madonna e M.J., no máximo) ter se finalizado ali do jeito que se finalizou.
o que mais lembro de ouvir sobre Michael Jackson, nesses meus 24 anos, foram piadas e de mal gosto, com o cara. eu nunca entendi a necessidade humana de maldizer os outros, abominava isso no colégio. não defendendo a inocência ou não do cara, mas não se precisa ser um grande Einstein pra ver que ele tinha sérios problemas psicológicos. família maluca, fama aos 10 anos de idade, pai abusivo, de nenhuma pra toda a grana do mundo em alguns anos… relacionamentos instáveis, problemas com a própria imagem (há quem duvide se era mesmo vitiligo ou um desejo de se tornar branco), casa = parque de diversões = chamado de Neverland… e isso tudo sempre sendo observado e julgado por milhões de pessoas. quem aguentaria? pra mim ele foi a maior criação e a maior piada da mídia internacional, o que é deprimentemente lamentável.
britney não é popstar.
backstreet boys não são popstars.
justin não é popstar.
jonas brothers não são popstars.
beyoncé, rihanna, hannah montana e todas as outras annas não são popstars.
e tenho minhas dúvidas se mesmo a madonna é.
michael morreu e me sinto triste, pela gente.
finalmente consegui terminar a edição das fotos do milocovik, que fizemos pelo pede pra zuleica! no dia 19 de abril.
conheci a banda quase que acidentalmente, quando fui assistir ao show do juan no Entonces… e eles abriram a noite. pra começar achei divertido demais o jeito do toni cantar, a letra de “perro negro” que depois não me saiu da cabeça e tudo que fui conhecendo deles depois. daí surgiu a oportunidade de fazer as fotos pelo pede!, já que a idéia é associar o coletivo com a produção visual em design + foto e tudo que pode estar no meio disso. conhecer os meninos pessoalmente depois foi bem legal também, já que os quatro também são designers (e dos bons!)… e não é sempre que se pode trocar com uma banda que na minha opinião tem tudo pra dar certo, tanto por aqui quanto lá fora. escutem o EP dos caras, eles disponibilizaram em www.milocovik.com/sexpack e é demais!
foram 2 horas entre encher bexigas, risadas e fotos divertidas no meio de uma lavanderia que, diga-se de passagem, eu nem imaginava que existia em são paulo. ela fica na rua da consolação número 825, bem perto da praça roosevelt. a gerente que nos atendeu foi super atenciosa, a gente no meio dos clientes e eles tranquilamente nos deixando usar o local; me surpreendi com a gentileza, coisa rara nos últimos tempos. naquela hora eu pensei “ah! se eu tivesse o hazy”, mas acho que no final a iluminação do local ajudou demais (tinham tijolos de vidro nas laterais e a porta da frente deixava entrar bastante luz também, muy providencial).
enfim… o resultado colocarei aos poucos no flickr, mas acho que nessa grande brincadeira toda melhorei um pouquinho ao fotografar pessoas juntas. y es outoño….

